Início de um novo ano

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… As 12 badaladas dão início ao novo ano, um ano que todos nós aguardamos, cheios de esperança. Que o novo ano seja melhor do que o anterior, um ano preenchido de coisas boas, saúde, paz, amor, felicidade… são alguns dos votos que todos clamam. Votos que percorrem os nossos pensamentos no silêncio da noite ou na euforia da multidão, no meio daquilo que cada um de nós escolhe para viver nessa noite.

As festas passaram, a correria desenfreada, a azáfama, a confusão, as filas de espera, o aguardar pela nossa vez (muitas vezes mais complicado do que no médico ou nas finanças, mas como é Natal, aguarda-se em silêncio e em paz…), o desespero de se encontrar aquele presente especial, a angústia de se visitar aquele ente querido, o presentear aquela pessoa naquele dia, momentos de ansiedade, de grande turbilhão de emoções onde tudo o que é importante se perde, no verdadeiro espírito do Natal.

Para mim, a melhor época do ano é o Natal, desde que me lembro que sou gente, o Natal sempre foi vivido com muita alegria, porque me foi transmitido com muita humildade, um dos verdadeiros princípios do Natal, viver em família, o saber estar em família, partilhar momentos em família, a ceia de Natal sempre foi o ex-libris do meu Natal, porque a família reunia-se e comungávamos todos da mesma mesa, os momentos que se viviam eram de pura alegria. Nessa noite não se pensava em presentes, mas sim em viver a família. Um momento em família que ao longo do ano também se vivia, mas naquela noite era diferente, a magia do Natal sentia-se no ar, no cheiro da comida, o aroma do bacalhau nessa noite era diferente, mesmo que a confeção fosse igual, mas nessa noite tinha um cheiro diferente. As rabanadas, esperadas ao longo do ano, os bilharácos e o bendito Bolo Rei que preenchia sempre a mesa de Natal.

Os presentes só se abriam na manhã de Natal, um ritual que se manteve durante muito tempo, manteve-se a magia do Pai Natal durante alguns anos, em que o Pai Natal, descia pela chaminé, onde deixávamos os nossos sapatos, cheios de esperança que aquele homem, de barbas branquinhas deixa-se um qualquer presente no nosso sapatinho e eu e os meus irmãos ficávamos tão felizes, com um simples presente, com uns simples chocolates ou até com umas bombocas que nos enchiam a boca e sobretudo deliciavam a nossa vida. Que Natal tão Feliz, era esse…

Agora que sou mãe, procuro transmitir esse sentimento, essas vivências à minha filha, sendo difícil porque efetivamente vivemos numa sociedade consumidora e esse consumo é vivido e transportado em todas as vivências da geração da minha filha, um consumo violento, uma comunicação veloz e insensível, mas com a qual temos de aprender a viver. Por vezes crio a minha própria “Bolha de Família”, onde procuro transmitir valores tão essenciais à vida, à construção do ser, porque quero que a minha filha seja um ser humano bom.

A verdade é que o Natal é sempre uma época muito alegre, a minha filha com três anos começa agora a viver esta época de uma forma mais interativa, mais dinâmica, vai cantando as músicas de Natal, vai fazendo perguntas sobre o presépio, o Menino Jesus, os Reis Magos, eu como mãe e o pai vamos-lhe proporcionando algumas atividades alusivas ao Natal e tudo isto promove em mim a vivência de uma época natalícia Feliz, diferente do que eu vivi, mas da qual posso enriquecer-me e tornar a minha filha uma melhor pessoa, fazendo-a Feliz.

“Filha, o Pai Natal foi embora, só volta para o próximo mês de Dezembro, mas o Natal é sempre que nós quisermos e a mãe vai ensinar-te a viver o Natal todos os dias…”

“ Quando volta o Natal ?”…, pergunta a minha filha, depois de eu lhe dizer que temos de desmontar a árvore de Natal, e eu olhando naqueles olhinhos ansiosos, respondo-lhe, “Filha, o Pai Natal foi embora, só volta para o próximo mês de Dezembro, mas o Natal é sempre que nós quisermos e a mãe vai ensinar-te a viver o Natal todos os dias…” O sorriso nos lábios da minha filha, transmitiu-me o compromisso que assumi a partir daquele momento, o verdadeiro sentido do Natal, deverá ser vivido todos os dias.

Este ano, esta época natalícia, também foi vivida de forma diferente, para mim. Para além da azáfama normal que se vive dentro de uma pastelaria, nesta época do ano, promovi a alguns grupos de crianças algumas atividades de cozinha natalícia, que tiveram como propósito proporcionar às crianças dos 3 anos aos 12 anos a aprendizagem e confeção de doces natalícios e sobretudo que estas crianças vivessem momentos de grande diversão e alegria.

Para mim, estas atividades tornam-se essenciais para que possa dar um pouco mais de mim, da minha essência, às crianças nesta época tão importante para elas.

Quando somos movidos pela paixão, o reconhecimento é ouvir vozes que dizem “ …gosto tanto de estar aqui…”, “…se a minha mãe deixasse eu ficava aqui até à meia noite…”, “… é mesmo fixe fazer isto…”, vozes essas que ficam na minha memória e me deixam tão feliz, sentindo que isto sim, é o fruto do meu trabalho, é este o meu caminho, é caminhar para chegar mais longe, é procurar alcançar a felicidade, é sermos felizes e fazer os outros felizes. E é essa felicidade que eu encontro estampada nos rostos das crianças que participaram nas minhas atividades e é por isso que na semana de Natal, procurei ver crianças felizes, desfrutando de momentos caracterizados pela alegria, boa disposição, partilha e amizade.

Fica na lembrança de quem viveu estes momentos, a Alegria que cada criança transmite no seu olhar, na sua atitude, fica na memória de cada um a importância desta época, porque só assim consegui sentir o verdadeiro sentido do Natal.

 

Sonhos de Natal

… O Natal é um sentimento de crença, magia e sonhos…
E como tal, deixo-vos aqui a receita do meu doce preferido nesta época natalícia…

texto blog

Ingredientes:
• 400 ml de água
• Casca de meio limão ( a gosto)
• 250 g de farinha de trigo
• 30 g de açúcar
• 50 g de manteiga
• 1 pitada de sal (+/- meia colher de café)
• 5 ovos médios (se foram pequenos poderão ser 6 ou 7)
• óleo para fritar q.b.
• açúcar e canela para polvilhar q.b.

Preparação:
Leva-se a água ao lume junto com a casca de limão, 30 g de açúcar, uma pitada de sal e a manteiga. Assim que ferver retira-se a casca de limão e deita-se a farinha toda de
uma vez só mexendo de imediato com uma colher de pau, até a massa se soltar das paredes do tacho e formar uma bola.
Deixa-se arrefecer um pouco a massa, coloca-se numa taça e mistura-se um ovo de cada vez até obter a consistência certa.

Coloca-se o óleo na frigideira e deixa-se aquecer. Para saber se o óleo já está quente deita-se-lhe uma colher de massa, quando a massa
vier ao de cima o óleo está quente e pode começar a fritar os sonhos.
Depois de fritos, escorra em papel absorvente e passe por açúcar e canela.

… Finalmente sonhe,… sonhe muito…

Sugestão de acompanhamento:
Desfrute deste belo prazer um sonho de Natal, acompanhado por um chá quente e porque não um chá Rooibos Laranja e Limão (Aspalathus linearis).

 

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A autora
Chef Anabela Almeida

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